domingo, 20 de novembro de 2011

Desabafo de uma farmacêutica

A pessoa estuda mais de cinco anos da vida dela num dos cursos mais difíceis que tem, se esmera para que haja o devido reconhecimento para a classe, para que as suas atribuições e seus préstimos à sociedade sejam reconhecidos... um trabalho de formiguinha, de luta diária.

O maior conhecimento- diferente de reconhecimento, da população em relação ao profissional farmacêutico é nas drogarias e farmácias. Mas farmacêutico está presente também na medicina diagnóstica, na realização de seus exames de sangue, cultura de células, nos hospitais trabalhando com farmácia clínica. Determinados hospitais aqui mesmo da capital só recebem certos certificados de acreditação internacionais se na sua equipe estiver presente e atuante um farmacêutico clínico.

É um cuidado quase que secreto que dedicamos à todas as pessoas.

Quinta-feira passada foi ao ar um episódio da Grande Família onde a Dona Nenê apresentava episódios de hipocondria e contava com a indulgência de um farmacêutico retratado bestamente que prestava um desserviço ao fornecer de forma ilegal antibióticos sem prescrição, ansioliticos, além de realizar anamnese e fornecer diagnósticos aos pacientes em uma drogaria.

Se isso acontece? É claro que acontece.

Assim como existem médico picaretas, advogados ladrões, políticos corruptos,existem também farmacêuticos que agem contra as boas práticas de farmácia pondo em risco a vida vida das pessoas.

A formação acadêmica das novas gerações de profissionais vem implantando uma imagem de maior proatividade do farmacêutico em seus locais de atuação. Nossa formação é voltada para atenção ao paciente, maior atuação nas equipes multidisciplinares, maior responsabilidades e outros campos de trabalho vem surgindo.

Não permitir que determinadas situações ocorram dentro de uma farmácia é mais do que negar uma venda. É garantir que não vai haver uma reação adversa, é proteger o filho de alguém, mesmo quando as mães se mostram insistentes. É tentar explicar pra uma pessoa pq tantos pacientes morrem com bactérias multirresistentes nos hospitais.É ouvir, calar, consentir e também negar algumas vezes.

O Conselhoo de Federal de Farmácia entrou com carta de repúdio ao episódio do programa e pediu retratação, mas acho que dificilmente acontecerá. Acontecimentos como esse enfraquecem um trabalho em prol de reconhecimento da classe que tem se fortalecido nos últimos anos. Isso reforça um esterótipo que aos poucos temos tentado mudar.

Pela minha educação independer da dos outros, continuo meu trabalho tentando acrescentar alguma coisa na vida das pessoas.

Um comentário:

De Bem Comigo Mesma disse...

Tem selinho no meu blog para vc!!! Beijos até sábado!!!